Como foi a palestra sobre IA nos negócios no UniSaberes?
A palestra Como a Inteligência Artificial está reinventando os negócios aconteceu em 21 de outubro de 2026, às 20h. O palco foi o Auditório D do Campus I da Universidade de Gurupi (UnirG), no Tocantins. Ela fez parte da 2ª edição do UniSaberes, cujo tema foi inovação humana, diversidade e inclusão na prática. Na plateia estavam empresários, gestores, profissionais e estudantes. Durante cerca de 45 minutos, mostrei cinco formas pelas quais a IA já muda as empresas: marketing, atendimento, operações, vendas e criação de produtos. Cada forma veio com um exemplo concreto, como o DefGPT, da Defensoria Pública do Tocantins. Em seguida, a segunda parte enfrentou uma pergunta incômoda. Afinal, por que quase todas as empresas usam IA e tão poucas colhem resultado? A resposta passou por processo, custo e fit com IA. Por fim, encerrei com a mesma pergunta da abertura, agora voltada para daqui a um ano.
Onde foi e quem estava na plateia
O UniSaberes chegou à 2ª edição em 2026. O evento é assinado pela UnirG e pela Prefeitura de Gurupi, por meio da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. Além disso, o Sebrae e o programa Cidade Empreendedora também aparecem entre as marcas do evento.
A plateia misturava quem já usa IA no trabalho e quem ainda tem receio dela. Por isso, a palestra foi desenhada para ser pé no chão. Não houve ferramenta mágica nem promessa de transformação instantânea.
Ninguém está tão na frente quanto parece
Comecei com quatro perguntas, uma por vez, e pedi que a plateia levantasse a mão. Quem já usou IA? Quem usa todos os dias? Quem já sentiu impacto real? Por último, quem teve a vida transformada pela IA?
As mãos foram baixando a cada pergunta. Em seguida, os números de uso no mundo explicaram o motivo. A maioria das pessoas nunca usou IA. Entre as que usam, quase todas ficam no plano gratuito e no uso básico. Ou seja, só cerca de 1% usa IA de verdade para trabalhar e construir soluções.
A ferramenta é a mesma para todos
O ChatGPT que eu uso é o mesmo que o seu concorrente usa. Portanto, ter acesso deixou de ser vantagem. A vantagem está em saber integrar a IA ao seu negócio.
As cinco formas pelas quais a IA está reinventando os negócios
A parte central da palestra percorreu cinco frentes. Cada uma teve uma demonstração animada e, sempre que possível, um caso real.
- Marketing: produzir melhor e mais rápido. Um pedido vira um mês de conteúdo, e a mesma oferta ganha versões para públicos diferentes.
- Atendimento: conversas viram oportunidades. Um assistente responde as dúvidas comuns no WhatsApp e chama a pessoa certa da equipe.
- Operações: menos tarefa repetitiva. Resumir documentos, extrair dados de PDFs e preparar relatórios deixam de consumir horas.
- Vendas: entender melhor os clientes. O CRM resume o histórico e sugere o próximo passo para quem vende.
- Produtos e inovação: a distância entre ter uma ideia e ter um produto funcionando nunca foi tão curta.
No marketing, o exemplo foi a minha própria campanha. A IA ajudou na estratégia, nos criativos e na leitura do custo de cada anúncio. Como resultado, as 30 vagas da turma de 15 de outubro, em Palmas, foram vendidas em 10 dias.
Operações: o caso DefGPT
Na Defensoria Pública do Tocantins, era preciso saber quais processos tinham honorários. Chegam cerca de 3 mil processos por dia. Analisar 22 mil deles à mão levaria 2,1 anos.
Com o DefGPT, o mesmo trabalho levou 11 dias, um ganho de eficiência de 97,33%. Além disso, a economia estimada foi de R$ 3,9 milhões, sem gasto adicional com o modelo. O projeto ficou em primeiro lugar no CNTI-Def 2025.
O ganho de verdade, porém, não é só velocidade. A equipe deixa de organizar informação e passa a analisar, vender e cuidar do cliente. Da mesma forma, o atendimento e as vendas melhoram quando o WhatsApp e o ChatGPT conversam com o CRM.
Produtos: da ideia ao sistema no ar
Para mim, esta é a transformação mais importante. Hoje dá para validar uma ideia, prototipar, construir e publicar antes de investir pesado. Por exemplo, plataformas como Lovable, Base44, Replit, v0 e Bolt montam a primeira versão. Já agentes como Codex, Claude Code, Antigravity e Cursor programam junto com você.
Também mostrei o que acontece quando isso vai para a sala de aula, na primeira turma do curso Da ideia para o produto com IA. No dia seguinte, um participante vendeu o próprio sistema para duas pessoas, com mensalidade. Além disso, a turma entrou no mapa oficial de 21 eventos da Base44 pelo mundo.
Por que quase todas as empresas usam IA e poucas colhem resultado?
A segunda parte começou com um dado citado por Milena Leal, do Google Cloud no Brasil. Mais de 92% das empresas já usam algum agente de IA. No entanto, só pouco mais de 10% extraem valor real.
Para explicar esse abismo, usei uma imagem simples. Colocar IA num processo ruim é colocar motor de Ferrari num trator. Antes do carro, vem a estrada. Da mesma forma, não dá para pular degraus, e não existe solução mágica.
Custo, resultado e fit com IA
Todo processo tem um custo e um resultado. Por isso, a tentação é começar pelo processo que mais fatura. Na palestra, o processo A custava R$ 6 mil por mês e trazia R$ 7 mil.
Em seguida, coloquei os mesmos R$ 10 mil de IA em três processos. O resultado mudou a ordem de prioridade:
- Processo A: passou de R$ 7 mil para R$ 8 mil. Retorno de 10%, caro demais.
- Processo B: passou de R$ 2 mil para R$ 32 mil. Retorno de 300%, o melhor dos três.
- Processo C: passou de R$ 1 mil para R$ 6 mil. Retorno de 50%, com potencial, mas pede preparo antes.
Ou seja, resultado alto hoje não significa fit com IA. Pela regra de Pareto, poucos processos concentram o resultado. Portanto, o primeiro passo é mapear os processos e começar pelos que têm mais fit.
A pergunta que ficou no ar
No começo, quase nenhuma mão subiu quando perguntei quem teve a vida transformada pela IA. E tudo bem, porque ninguém está tão na frente quanto parece. Por isso, encerrei devolvendo a pergunta à plateia.
Daqui a um ano, alguém vai fazer essa mesma pergunta de novo. A sua mão vai subir?
Meu agradecimento à organização do UniSaberes, à UnirG, à Prefeitura de Gurupi, ao Sebrae e ao Cidade Empreendedora. Agradeço também a cada pessoa que lotou o Auditório D e trouxe perguntas de altíssimo nível.
Perguntas que sempre chegam
- Por que tantas empresas usam IA e tão poucas colhem resultado?
- O principal motivo é aplicar IA em processos mal definidos. A ferramenta é a mesma para todos, então a vantagem está na integração com o negócio. Por isso, antes da IA vêm o processo claro, os dados organizados e a escolha do processo com fit.
- Por onde uma empresa deve começar a usar IA?
- Primeiro, liste os processos com o custo e o resultado de cada um. Em seguida, estime quanto cada um ganharia com IA. No exemplo da palestra, o mesmo investimento rendeu 10% em um processo e 300% em outro. Portanto, comece pelo processo com mais fit, não pelo maior.
- Como levar esta palestra para o meu evento ou empresa?
- O primeiro passo é o contato pelo WhatsApp (+55 63 98132-9588) ou pelo e-mail [email protected]. Em seguida, informe a data, a cidade, o formato e o perfil do público. Por fim, você recebe uma proposta com o conteúdo adaptado ao seu setor.